A gente acha que está no controle, não é?
Acredita que escolhe o que vê, o que consome e no que acredita. Mas, tente sair da tela por um único dia. Silencia. Some. Não toca em nada. O que acontece? O sistema percebe. Ele nos cutuca.
Nos chama de volta com notificações, sugestões e propagandas. Armadilhas disfarçadas de convites. Não são avisos, são iscas.
Acho que gente já não navega. A gente é conduzido.
A liberdade é um cenário. Bonita na propaganda, mas trancada na prática. E o truque mais perverso? Fizeram a gente gostar do conforto da prisão. O algoritmo não quer reflexão.
Quer rolagem infinita. Quer a gente distraído, hipnotizado, passivo. Quer a gente distante da dúvida, da crítica e da lucidez.
E quando a gente acorda? Já estamos presos nas repetições, consumos, telas rolando, dedos subindo e descendo e ciclos viciantes. Não vemos produtos. Somos o produto.
Somos o conteúdo. Viramos engrenagem.
Mas, ainda há quem desconfie e consiga desligar a tela, na tentativa de acender o pensamento. Há quem vença a guerra da tela ocupando o lugar de consciência. Há quem consiga viver sem se tornar audiência. Porque quem aplaude a própria prisão com indiferença é a massa moldada, cativa, passiva, sem voz, sem presença. Sai do celular. Para um pouco e se questiona.
A tela que entretém é a mesma que aprisiona?
Cleonio Dourado ✔

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