Nomearam Miriam Leitão para a Academia Brasileira de Letras.
E com isso, enterraram mais uma vez, a dignidade do Brasil.
Não é sobre ideologia. É sobre coerência, sobre méritos, sobre o lugar simbólico que a ABL um dia já representou: O templo da literatura, o altar das letras, a casa dos que transformaram a língua em arte, resistência ou beleza. Agora, é camarote de premiação política. A "jornalista", que, por décadas, usou da palavra não para iluminar, mas para obscurecer, não para provocar reflexão, mas para selar narrativas, torna-se "imortal". Imortal não pela poesia, pelo conto, pelo romance, pela gramática. Mas por um ofício que, nos tempos atuais, mais serve ao partido do que ao povo. A ABL foi criada por Machado. Agora é governada pelo Planalto. Tornou-se uma instituição sem prestígio real, onde o título é moeda de troca e o aplauso, recompensa por alinhamento. E quando o critério vira conveniência, quem perde é a literatura.
Com isso, o Brasil confirma mais uma de suas tragédias modernas: Tudo que um dia foi sagrado, hoje é escárnio.
Enquanto escritores geniais vivem no anonimato, vendendo livros na luta, a tribuna da Academia consagra quem serviu bem ao sistema. Não ao idioma, nem à arte. Mas ao poder.
Não é contra Miriam. É pelo que ela representa.
A consagração do discurso oficial do Regime, do pensamento único, da militância disfarçada de isenção. E quando a caneta serve apenas ao governo, a verdade deixa de ser escrita.
Mas, nesse Brasil de narrativas, todes e aberrações, a língua portuguesa ainda resiste. E o que pensaria Machado de Assis?
Talvez diria, com seu sarcasmo imortal: "A língua portuguesa, senhores, já morreu. Só esqueceram de enterrá-la."
Hoje não teremos o AVANTE.
Porque hoje é dia de RETROCESSO.
Cleonio Dourado ✔

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