Há sempre dois olhares dentro de nós: o olhar do beija-flor e o olhar do urubu. O beija-flor voa pelos jardins procurando flores, perfume, vida e beleza. Mesmo em meio aos espinhos, ele encontra aquilo que pode alimentar sua alma. Já o urubu, mesmo podendo voar pelos mesmos céus, procura apenas carniça, sujeira e aquilo que está morto. Assim também é o coração humano. Há pessoas que entram em qualquer ambiente e conseguem perceber o bem, as qualidades, os esforços, a luz escondida dentro dos outros. São pessoas com olhar de beija-flor. Mas também existem aqueles que, por onde passam, enxergam primeiro os defeitos, os erros, as falhas e as fraquezas. Têm o olhar do urubu.
A grande verdade é que todos nós carregamos os dois olhares dentro da alma. Em alguns dias, o urubu quer abrir as asas da crítica, da amargura e do julgamento. Mas Deus nos deu liberdade para escolher como vamos olhar o mundo e as pessoas.
O segredo da vida está justamente nisso: fechar os olhos do urubu e deixar o beija-flor do coração voar. Porque quem escolhe procurar flores acaba espalhando perfume por onde passa.