terça-feira, 6 de outubro de 2026

2003. 
Em 2003, eu ainda falava de esperança.
Eu, particularmente, sonhava com um Brasil melhor. 
Em 2003.
23 anos atrás.
Nessa mesma época, de campanha. 
Falavam em crescimento.
Em escola melhor.
Em emprego.
Em indústria.
Em tecnologia.
Em segurança.
Em saúde. 
Em menos violência.
Em menos corrupção.
Menos fome.
Menos inflação.
É, ouvindo aquelas promessas na TV, acreditávamos em um país que finalmente encontraria o seu lugar no mundo.
Brasil, o País do futuro! 
23 anos se passaram, pouca coisa mudou.
Quase tudo ainda é a mesma coisa. 
O "País do Futuro" não chegou.
Atolamos!
E por mais incrível que ainda pareça, hoje ainda ouvimos as mesmas promessas. 
Ainda temos uma educação precária. Ainda discutimos saneamento básico. Ainda comemoramos emprego como uma conquista extraordinária. Não temos saúde de qualidade, inflação come o salário de todos, preços de mercado e combustíveis nas alturas, exportamos riqueza e importamos aquilo que poderíamos produzir.
Ainda pagamos caro.
Ainda esperamos muito.
A corrupção come tudo mais do que nunca.
Petrólão, Mensalão, Lava-jato, INSS, Master.
Um escândalo pra cada mandato.
E o Brasil vai virando um buraco!
E nós aqui.
Ainda discutindo as mesmas brigas políticas com as mesmas palavras, enquanto países que também estavam olhando para o futuro nesses 23 anos já passaram de nós em quase todas as áreas.
Somos o país campeão em violência, feminicidio e corrupção.
Somos o último lugar em saneamento básico, saúde e educação. 
E talvez o mais triste não seja perceber que avançamos muito pouco.
O mais triste é saber que talvez não avançaremos nunca! 
O Brasil do futuro continua atolado no passado. 
Um Brasil caro, atrasado, dividido, inseguro, injusto, polarizado, pobre, que há 23 anos a promessa de café da manhã, almoço e janta ainda ocupa a boca do mesmo candidato que escreveu essa triste história.
Se não fossem as evoluções mundiais que chegam ao Brasil, ainda estaríamos andando em carroças e usando orelhão, porque o país não cria nada, não inventa nada e a tecnologia nos atropela, vindo tudo de outros países.
Somos um país carrapato. 
Onde a grande maioria não consegue comprar um carro usado, vive de esperança no aumento da assistência prometida pelo canditado que nunca promete trabalho, apenas gás, caneta emagrecedora, bolsa, carne e cabresto.
Sonhávamos com um futuro glorioso.
Vivemos um presente pele e osso. 
E no meio disso tudo, nós seguimos trocando mentiras, agressões, acusações, discursos, ministros, partidos, promessas, mentiras e socos. 
Só não troca-se o presidente.
E sem trocar quem lidera mal, quando teremos uma educação capaz de mudar destinos?
Sem trocar quem lidera mal, quando nossa economia deixará de depender tanto do que vem de fora?
Sem trocar quem lidera mal, quando o mérito, o trabalho e o conhecimento voltarão a ser instrumentos reais de ascensão social?
Talvez, até, o Brasil não tenha parado.
Só estamos com o "freio-de-mão" sempre puxado. 
Talvez, apenas, se destrói num ano tudo aquilo que no anterior é construído.
Mas talvez também tenhamos aprendido. 
Porque em 2003, eu imaginava um país chegando em 2026 muito mais distante de onde estava.
E hoje, olhando para trás, percebo que o mundo não esperou o Brasil.
O Brasil ficou. 
O mundo foi.
A tecnologia foi.
A educação avançou em muitos lugares.
As profissões mudaram.
O mundo mudou.
E nós continuamos discutindo futuro.
Continuamos discutindo um país que não andou.
Que ainda tem promessa de café, almoço e janta, pois o povo ainda vive à miséria da fome.
Duas gerações escutando a mesma voz com a mesma promessa.
E ainda continuam tendo esperança. 
Talvez o futuro do Brasil não esteja em escolher entre permanecer acorrentado ao passado ou tentar se libertar para tentar um futuro. 
Talvez, esteja finalmente em ainda podermos decidir que país queremos encontrar daqui a mais 23 anos.
Hoje de manhã, ouvi Belchior por acaso numa estação de rádio e ele me cantava assim ao pé do ouvido:
"O passado é uma roupa que já não serve mais"
Ele escreveu essa canção.
Eu escrevi esse textão.
Apenas para fazer um pedido:
MUDE! 
Bom dia!
Cleonio Dourado


 

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