Desde 2002, o Brasil entra em cada Copa carregando um sonho antigo: gritar "é hexa". Desde que o PT assumiu a presidência da República, o Brasil não ganha mais nada. A cada quatro anos, renovamos a esperança. É na eleição, como é na copa.
Compramos camisas, pintamos ruas, abraçamos desconhecidos.
Votamos e torcemos. Perdemos, sofremos e repetimos: "na próxima vai." Talvez tenhamos transformado essa espera em hábito. Não apenas no futebol, mas na política também.
Também esperamos o hexa da educação que nunca chega. O hexa da saúde que respeita o cidadão. O hexa da segurança que permita voltar para casa sem medo. O hexa do respeito entre governantes e governados. Enquanto isso, o povo continua na arquibancada, assistindo, reclamando e chorando.
E, de vez em quando, quem deveria governar estende não a mão para unir o país, mas um dedo para dividir ainda mais uma nação já cansada de brigas. Ninguém conquista nada insultando a torcida adversária. Nenhum país vence quando seus líderes confundem autoridade com provocação. O Brasil espera uma vitória há vinte e quatro anos. Talvez esteja na hora de perceber que o troféu mais importante nunca foi uma taça dourada e, sim, recuperar um país onde o cidadão volte a sentir orgulho de vestir a mesma camisa. Porque, no fim, a maior vitória do Brasil não será levantar uma taça. Será levantar o próprio Brasil.
Cleonio Dourado ✔

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