sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Entendam isto: o corpo de uma pessoa idosa já não é o mesmo que aos trinta anos. Muitos filhos adultos tornam-se impacientes. Ficam irritados porque a mãe ou o pai comem mais devagar, caminham com cuidado, cansam-se mais rápido, esquecem coisas ou queixam-se de dores. Pode parecer que estão a exagerar ou que simplesmente não querem esforçar-se. Mas isso não é verdade. O corpo deles simplesmente mudou. E é importante aceitar isso para não os magoarmos com a nossa impaciência.
Depois dos sessenta anos, o organismo já não funciona como antes. Não porque não queiram, mas porque o corpo trabalhou a vida inteira e desgasta-se pouco a pouco. A digestão abranda. O estômago produz menos sucos digestivos. Comidas pesadas tornam-se difíceis. Por isso, as pessoas idosas comem menos ou mais devagar. Não é indiferença — é biologia. As articulações também pagam o preço do tempo. Joelhos, costas, braços e pescoço suportaram anos de esforço. Os músculos enfraquecem e cada movimento exige energia. Andar devagar não é preguiça, é dor. A força diminui. Tarefas simples tornam-se difíceis. Muitas vezes ficam em silêncio para não preocupar os familiares.
A memória também muda. Nem sempre é doença, mas envelhecimento natural. O sistema imunitário enfraquece. O frio provoca doenças com mais facilidade. E o mais importante:
Não é que não queiram. Não é que não entendam.
Não estão a exagerar. O corpo deles é simplesmente diferente.
Os pais não se tornam um peso. Tornam-se mais vulneráveis.
Ninguém envelhece para incomodar. Envelhecemos porque tivemos o privilégio de viver. E um dia esse corpo será o seu.
E você também vai precisar de compreensão, respeito e paciência.


 

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