quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Aprendi com o evangelho que verdade sem ternura pode virar pedra na mão de quem já está ferido. Há quem diga: “eu falo mesmo, doa a quem doer.” Mas, se dói sempre, talvez não seja luz, seja vaidade vestida de sinceridade. Jesus, diante de Pilatos, escolheu o silêncio. Naquela hora, a palavra não levantaria ninguém, apenas alimentaria o ruído do orgulho humano. Nem toda verdade precisa ser dita de imediato, nem todo silêncio é omissão, às vezes é caridade em estado de oração...A verdade que humilha não vem de Deus. O Pai não nos corrige para nos esmagar, corrige para nos restaurar. Quando a palavra nasce do amor, ela orienta. Quando nasce da soberba, ela fere e depois chama isso de franqueza. Se uma verdade não serve para amparar quem caiu, talvez ainda não seja tempo de pronunciá-la. Falar por impulso é fácil, difícil é falar com responsabilidade espiritual. Eu teria cuidado com quem se orgulha de ser “franco demais.” Quase sempre por trás desse excesso, mora uma dor não tratada, uma impaciência consigo mesmo, uma luta íntima que se projeta no outro. A razão, meus amigos, raramente repousa de um lado só. Todos estamos em aprendizado, todos temos sombras e claridades. Por isso, antes da verdade na boca, coloquemos misericórdia no coração, antes de apontar, oremos, antes de corrigir, abracemos...A verdade de Deus não violenta, ela visita, consola, esclarece e transforma no tempo certo, com amor...


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário