A coragem que habita em mim não nasceu da calmaria.
Ela não veio de um dia bonito, leve ou gentil.
Veio de um dia insuportável, daqueles em que respirar parecia esforço e existir parecia pesado demais. Ela nasceu quando não havia aplauso, nem mão estendida, nem promessa de que tudo ficaria bem. Nasceu no silêncio que ninguém viu. Na dor que não coube em palavras. No instante em que desistir parecia mais fácil do que continuar. Foi ali que algo em mim se ergueu. Não por força, mas por necessidade. Não por bravura, mas por sobrevivência. A coragem verdadeira não grita. Ela treme, chora, sangra, mas permanece. Ela anda mesmo com medo. Ela fica mesmo cansada. Ela escolhe continuar quando tudo dentro pede pausa definitiva. Cada cicatriz virou raiz. Cada queda virou chão firme. Cada noite longa ensinou que o amanhecer não precisa ser belo para ser suficiente. Hoje, quando me chamam de forte, sorrio em silêncio. Porque sei que essa coragem não foi presente.
Foi construção. Foi resistência. Foi escolha diária de não abandonar a mim mesmo. A coragem que habita em mim tem história. E toda história que nasce da dor carrega uma luz que nunca mais se apaga.
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Diário Espírita

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