quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Há dias em que o mundo parece suspenso, e nós, pequenos navegadores do tempo, sentimos o peso e a leveza de tudo ao mesmo tempo. Caminhamos pelas ruas com o coração aberto, mas sem saber exatamente para onde, apenas sentindo o ritmo secreto que pulsa por dentro. Cada gesto, cada respiração, é uma lembrança de que a vida é feita de instantes que se dobram uns sobre os outros, como páginas de um livro que ainda não aprendemos a ler por inteiro. O sol cai devagar sobre as janelas, tingindo de ouro o que toca, e nós paramos por um momento, como se o simples acto de olhar fosse suficiente para compreender o sentido do existir. E, nessa quietude, descobrimos que não é preciso compreender tudo. Que há beleza em deixar que o coração vague, que se perca e se encontre nas pequenas coisas: no riso que brota sem aviso, no perfume de uma flor esquecida, no abraço que aquece sem motivo.
A vida, então, torna-se um delicado equilíbrio entre a pressa e a pausa, entre o querer e o deixar ir. E aprendemos, devagar, que cada instante carrega um segredo só seu, e que nós somos, ao mesmo tempo, os guardiões e os viajantes desses segredos.
Carlos Cabrita ✔


 

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