sexta-feira, 15 de março de 2019

A juventude de hoje se encontra, emocionalmente, doente (não numa totalidade, mas em uma grande parcela crescente e não notada). É triste e inquietante essa realidade que a cada dia, apresenta mais jovens deprimidos, ansiosos e propensos a pensamentos de auto depreciação. É difícil falar abertamente, mas a juventude está perdendo a sanidade mental, muitas vezes pela pressão que sofrem dentro do próprio círculo familiar e social. A pressão social para que o jovem atinja níveis altíssimos de perfeição aumentou significativamente nos últimos anos, dentro e fora de casa e a vontade de se destacar, para poder superar essa cobrança, por muitas vezes se torna maior do que a vontade de ser, simplesmente, ele mesmo. A sociedade padroniza e cria idealizações de pessoas ideias e perfeitas a serem seguidas, que na maioria das vezes é algo inatingível para a maioria das pessoas. As adolescentes, cada vez mais precoces, creem que a estética é fundamental para o alcance da felicidade. Meninos, cada vez mais cedo, são instigados a comprovar força, coragem e masculinidade. Se a juventude de hoje está doente, a sociedade atual é a mais insana de todos os tempos. O constante uso dos meios virtuais, tem levado pessoas ao vício de buscar ser aquilo que vêem lá. E não são apenas os jovens que estão viciados nestas exigências absurdas do mundo virtual. Os pais, igualmente, estão. E nessa concorrência de tempo, nesse bilhão de coisas a fazer, nunca estão presentes, nem para ajudar, nem para cobrar, muito menos para amar. Pais que acham que resolvem tudo dando presentes e pagando escolas caras. Pais que acham que um telefone bom e internet em casa já são suficientes. O excesso de liberdade que os damos, mais prende-os que os soltam. E nossos jovens seguem sem rumo, engaiolados e quase órfãos de famílias vivas. Por não ter quem abraçar em casa, o jovem se sente dependente dos elogios e afetos de outros através das redes e círculos sociais externos, pois não tem em casa o fundamental elogio e carinho vindo do seu pai ou de sua mãe. É difícil saber se o adolescente que sorri, realmente está feliz. É difícil saber se quem chora, realmente sente é dor. Muitas vezes é algo bem maior, bem mais pesado: Solidão, tristeza, abandono, bullyng, depressão. E buscam remédios para a dor e para alma em coisas e lugares que lhe são apresentados por esse mundo sem regras. Os milhares de prints de vida irreal que eles seguem, lhes é empurrado garganta abaixo e neles, se anestesiam e se mutilam para poder se encaixar em algo ou grupo que lhes aceite. Jovens precisam ser olhados, bajulados, queridos, aceitos, amados. A palavra “ACEITAÇÃO” grita nos ouvidos da juventude. Buscam ser perfeitos para poder agradar dentro e fora de casa. Buscam um "perfeccionismo" impossível de existir. Esse perfeccionismo é um desejo imaginário de perfeição combinado com um elevadíssimo nível de autocrítica e baixa autoestima. Ao não se encaixarem nesse perfil ficam dominados por um tipo de submissão social e exclusão. Se tornam frágeis e quebradiços. Uma imagem refletida, amarga e feia num espelho sangrento e quebrado. Uma saúde mental debilitada, somada a submissão social e autoestima fragilizada formam o gatilho principal que dispara terríveis eventos, como os massacres de Realengo e Suzano. Uma mente fragilizada por falta de amor social e fraternal e bombardeada com estímulos de violência externa e falta de aceitação entra em “parafuso” e embarca em um mundo surreal, paralelo e perigoso, em que o maior atingido acaba sempre sendo o próprio doente. Antes de se tornar um assassino, ele era um doente. Não adianta se cobrar por segurança nesses casos totalmente imprevisíveis. A questão é bem anterior ao problema de segurança pública. Tratar da enfermidade psicológica e prevenir o suicídio é prevenir esse tipo de tragédia. Esses massacres sempre são seguidos da morte do agressor. Apesar de serem mais chocantes e extremos, são poucos os casos de suicidas que decidem assassinar outras pessoas antes de sua morte, pois na grande maioria das vezes, somente o autoextermínio é o ponto final e, infelizmente, sem alarde. Há uma tragédia estrondosa nas ruas, mas também há uma tragédia silenciosa em nossas casas. A vida é o bem mais precioso. Deixar que algo desta natureza aconteça é uma falha conjunta de pais e sociedade. Não existem “regras” de como criar filhos. Não existe um preço a se pagar por um filho. Não existe felicidade a se comprar para um filho. Não existe amor que possa ser comprado ou vendido. Não existe “terceirização” da educação de um filho. Escola é para ensinar, família para educar, sociedade para formar cidadão. Esse conjunto de coisas essenciais é extremamente necessário para termos um jovem saudável mentalmente e com uma autoestima que o possibilite ser aceito e ser feliz do jeito que ele é. Mas, o fundamental continua sendo dentro da família: A dedicação, a atenção, o exemplo, o afeto, o sorriso juntos, o abraço fraternal, o olho no olho, a cumplicidade, a amizade e o maior de todos, o amor entre pais e filhos. Previna a saúde mental do jovem que você tem em casa: Ame-o e demostre isso sempre que possível. Mesmo que ele não goste ou não retribua, se esforce pra isso. A falta de amor ou a falta de demonstra-lo, faz estragos e traz danos irreversíveis.
- Cleonio Dourado -

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