Cada um tem aquilo que merece”, quantas vezes ouvimos isto, como se a vida fosse um tribunal justo onde tudo se equilibra? Mas a verdade é mais subtil: cada um tem muitas vezes, aquilo que aceita. Aceitamos o silêncio onde devíamos erguer a voz.
Aceitamos migalhas quando o coração pede inteireza. Aceitamos o peso do que nos fere, porque o hábito nos adormece a coragem. Não é o merecimento que desenha o nosso destino é o limite que colocamos ao que consentimos. Há quem mereça amor e viva na solidão, porque aceitou menos do que precisava. Há quem mereça paz e viva em guerra, porque não soube dizer “basta”. A vida não nos dá o que é justo, dá-nos o que permitimos permanecer. E só quando deixamos de aceitar o que nos diminui, é que o que merecemos começa, finalmente, a chegar.
@Carlos Cabrita _escritor ✍
O Sentido das Palavras Carlos Cabrita

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