sábado, 24 de maio de 2025

Há uma pressa instalada no mundo, como se a vida fosse uma corrida com prêmio no fim. Prêmio no fim? Pois é.
No fim, já pensou? 
Corre-se para estudar, para trabalhar, para amar, para produzir e corre-se, inclusive, para descansar, como se o repouso fosse apenas uma tarefa a cumprir antes da próxima obrigação.
A música famosa diz que “É preciso saber viver.” E isso nos desmonta. Porque paramos para pensar o porquê ninguém nos ensinou a viver, apenas nos ensinaram a sobreviver, a correr, a competir, a ir e a vencer. Ninguém nos deu tempo para pensar a vida. Ninguém nos disse que a vida é uma obra de arte.
E a vida é isso: Uma arte. Só que a gente a trata como um rascunho no guardanapo. Falta o tempo da pausa que permite melhorar o traço que nos cria. Falta o tempo para colorir e sair do cinza. Falta recarregar lentamente a energia. Pensar a vida como arte parece ousadia. É dizer não ao automático, ao cronômetro, à agenda, ao trânsito, ao fast food, ao calendário lotado. É sentar à mesa sem pressa, é caminhar sem destino, é falar na velocidade normal e ouvir sem o acelerado. É escutar com atenção, é amar com a alma e coração, com presença e demora. É olhar para a vida e perceber: Ainda estou aqui. Quem consegue isso, já consegue muito. Mas há um ponto cruel: Nos fizeram pensar que só é válido o que se exibe. E há quem acredite. E a vida, essa única e íntima obra-prima, não cabe nesse modelo. Porque viver, de verdade, exige tempo e intimidade. E se o tempo é luxo. Viver é arte. Ainda assim, digo: Desacelere.
Olhe em volta. Desconfie da pressa. Encurte o passo. Pare a corrida sem fim e sem destino. Pergunte a si mesmo se está vivendo ou apenas indo. Pare de correr sem nem saber aonde quer chegar. E quando puder, recomece. Recomece devagar.
Não para fazer tudo de novo, exatamente igual. Mas, para, enfim, viver como quem sabe que a vida normal não se apressa.
E nesses instantes, entre um suspiro e outro, a gente precisa aprender a apreciar a própria presença. Porque o Artista Celestial fez nossa arte, Ele não teve pressa.
E porque a vida não passa voando quando a aproveitamos.
Quando, enfim, a domamos, ela passa lenta. 
Se aproveite.
Bom fim de semana!
Cleonio Dourado ✔




 

Nenhum comentário:

Postar um comentário